Duche

Oiço a água cair como numa tempestade
Conforme avanço pelo corredor o som aumenta
Zumbido intenso de milhões de gotas a sair do chuveiro

Um arrepio me percorre por inteiro…
Já não sou eu que me conduzo
É o desejo em bruto

A pequena divisão está envolta
Num nevoeiro intenso
Ou serei eu que estou alucinando?

Distorcido pelo vidro o teu corpo
Me acende ainda mais
Chama viva no meio do fumo e da água
Só tu para me provocares assim
E ainda me perguntas se te amo …

Abro a porta de vidro
E o teu sorriso molhado me recebe
Abraço-te, envolvo-te
E bebo do teu corpo essa água quente
Com sabor a ti

Sem segredos arranco do teu corpo nu
O desejo, o prazer …

Faço tudo acontecer …
E a marca húmida do teu corpo
Fica nos azulejos
E o teu suspiro nos meus ouvidos

Tarde demais, me lembro
Que não tirei a roupa …

Alaya duques do Mar

Duche
Oiço a água cair como numa tempestade Conforme avanço...
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