Cada noite vens assim: uma maré de desejo, uma onda de amor.
Assim, quando aparece aquela neblina suave que vem do mar e sobe a montanha, entras no quarto e despes a realidade.
Todas as minhas noites sonhei contigo; agora, na penumbra, os meus dedos contornam o teu ombro, devagar, não há pressa que o sonho acabe.
As palavras, as malditas palavras que dizes por entre o toque da língua na minha pele, vicias-me nessas noites em que falas de amor e me amas até me consumires a alma.
Fica na lembrança o sabor, a mão sobre o seio, a roupa tombada no chão e fica gravado na pele o grito por dentro, como se a alma se rasgasse e vertesse a sua essência.
E, uma vida depois, vem a madrugada, um cansaço profundo, a alma esvaída e oiço vagamente os teus passos.
Queria abrir os olhos, correr atrás de ti, dizer-te para não ires… mas não me resta nada, o corpo molhado de tudo está seco de vontade. Adormeço ao som dos teus passos que se afastam, mas existe em mim uma certeza: que sempre haverá outra noite para nós.Alaya duques do Mar
