A Seiva do Teu Olhar 

Dispo-me e mergulho assim na floresta do teu olhar. Suaves raios de sol iluminam-me. Desfruto das cores da tua alma.
Toco teus lábios com os meus e uma cascata de emoções me arrepia a pele. Tens um sabor que me dá sede de ti. Deixo pegadas de beijos no teu corpo, caminho numa embriaguez de desejo onde não vejo por onde vou; guiam-me os sentidos e os sentimentos.
Fecho os olhos e sinto a tua alma como uma carícia em mim que me leva para outra dimensão desta vida. Vejo-te para além dos nossos corpos nus, avisto a floresta luxuriante que vai da minha alma à tua. Flores exóticas, árvores grossas centenárias (há quantas vidas te conheço?). Pássaros que levam carícias e trazem beijos fazem ninhos aconchegantes nas palavras soltas — não sei se ditas, se sonhadas.
Abro os olhos e vejo-nos num abraço sem princípio nem fim. Teu olhar derrama ternura e grita por mim, enquanto a tua voz se escapa, delirante, nas curvas do meu ventre. Deixo-me afundar nas emoções que descobres em mim. Vejo o céu e o sol recortados pelas folhas verdes. Com delicadeza tocas a minha seiva, a minha essência, desvendas-me.
De corpos esvaídos adormecemos, um ombro serve de almofada e uma perna por cima de outra. De olhos fechados, no cansaço feliz de quem entrega o coração, revejo teu corpo inteiro. Sei de cor teu cheiro, teus contornos, teus sorrisos. Por mais cego que fosse o sentimento, encontrar-te-ia em qualquer vida.
Anseio que me vejas sob a luz do teu olhar.
Alaya duques do Mar