
Rodopiam os fantasmas pelas esquinas das ruas. Eu e tu ouvimos as espessas correntes que se arrastam nos caminhos e sorrimos, cúmplices.
Histórias de amores antigos transpiram nas paredes: palavras murmuradas, carinhos trocados na escuridão. Sentimos ainda as vestes compridas a roçar na pedra e a mão ansiosa. O passado inteiro gira à nossa volta. Finais felizes ou não, só restam agora fantasmas… fragmentos de sombras.
A tua mão assim na minha dá-me uma imensa paz; mesmo essas vidas perdidas ao nosso redor não me perturbam. Há uma certa nostalgia na luz mortiça do candeeiro de rua — ou talvez eu já tenha saudades da tua mão assim na minha, voando pela noite.
Abraço-te. Gosto do teu sorriso e, nesta noite de verão, ele parece ainda mais bonito. É tão bom beijar-te assim, debaixo do candeeiro, como se fizéssemos parte de uma história de amor antigo. Embalados pelo teu beijo, os meus dedos procuram a tua pele. Soltam um botão e esquivam-se; tremo como se tocasse algo proibido, mas tão desejado.
Imagino o exército medieval a cercar as muralhas, enquanto os meus dedos espalham carícias na tua pele. Posso ouvir as espadas, os gritos de ordem, os cascos dos cavalos. E sou apenas eu e os meus dedos, afastando a tua roupa para alcançar o teu prazer.
Algures, uma porta fecha-se. Uma janela cobre-se. E nós ficamos ali, no canto da rua, como crianças numa travessura. Na volta do silêncio e no rodopiar dos fantasmas, a minha mão desliza, ousada, atravessando as muralhas do pudor. Sinto que me puxas para dentro de ti e já nem penso, já não existo neste lugar adormecido pela noite. Agora sou um exército medieval que te conquista com carícias.
Escondes o rosto no meu abraço e transbordas luxúria. Pertencemos à noite, ao silêncio, às histórias de amor que ficam por contar naquelas paredes. Só os nossos olhares falam agora.
E, ao nosso redor, os fantasmas continuam a rodopiar.
Alaya, Duques do Mar