Vejo o nosso reflexo na bola vermelha, como uma miragem do futuro que se fez presente.
Não sei que dia é hoje, mas não tenho dúvidas de que, cada vez que dou por nós neste abraço brilhante dentro de um enfeite, é, sem dúvida, Natal.
Quedo-me a observar o teu sorriso: largo, solto, doce.A vontade de beijar esse sorriso é imensa, mas é como colher uma flor na primavera: capricho do desejo apenas.
Deixo-te sorrir mais um pouco. Os beijos podem esperar, e o tempo podia parar também quando a tua mão, sobre a minha, acerta a serpentina por entre os galhos da nossa árvore de Natal. O teu calor assim arrepia-me os sentidos. Dá vontade insuportável de largar as bolas, os enfeites e, na confusão das prendas por embrulhar, dos laços inacabados e do papel de embrulho colorido, fazer amor contigo como se não houvesse amanhã. Trincar a orelha, beijar a face, brincar com a língua nos teus lábios, fazer-te suspirar com beijos no pescoço e aventurar-me em caminhos de prazer que só um amor assim abre nos corpos que se querem.
Colocamos a iluminação nos troncos firmes; luzinha a luzinha, a pequena árvore cobre-se de magia. Uma luzinha rosada lembra-me o nosso primeiro beijo; outra, azul, traz-me a lembrança da chuva no vidro e o teu corpo nu iluminado de desejo, num daqueles dias em que o tempo parou para o nosso amor acontecer sem pressa, sem agenda; revejo a nossa história toda: cada sorriso, cada lágrima, beijo, carícia…
Puxo-te mais para mim. Faltam recordações de nós hoje, a namorar aos pés da árvore de Natal meio enfeitada; faltam carinhos que ainda não te dei por entre serpentinas coloridas e bolas brilhantes. Hoje, agora, falta amar-te como da primeira vez e como se fosse a última. E, entre um beijo e outro, vejo o nosso reflexo às cores, multiplicado pelas bolas penduradas; vejo o nosso amor multiplicar-se pela vida toda.
Alaya Duques do Mar