Despe a pressa e olha-me como se o tempo não acabasse nessas horas a sós, tão poucas que temos.
Tira do Tempo o peso das coisas que nos roubam das mãos os carinhos que guardamos para trocar como prendas.
Despe o cansaço dos dias longos e atarefados. Despe a ausência.
Despe da minha pele a saudade que me sufoca.
Despe a cama das almofadas alinhadas, dos lençóis engomados.
E no quarto despido de realidade despe-me a alma, veste-me a fantasia, as palavras sem nexo.
Veste-me de Amor, de desejo, abotoa os beijos da tua boca à minha. Veste-me daquela paz que vem depois de tudo.
E assim, de corpos despidos, vestimo-nos de Vida.
Alaya duques do Mar
