Gosto de textos que nos sujam. Palavras que nos mordem a roupa e nos rasgam a alma, de modo a que fique exposta aos sentimentos.
Gosto do sangue a escorrer, a transbordar para fora das veias do corpo do avesso.
Gosto das palavras que são dedos, beijos, e nos penetram a intimidade, revelando emoções desconhecidas.
Gosto das palavras que saltam da boca para ferir, arranhar a pele e espicaçar o desejo.
Palavras que são gestos brutos na ansiedade de dar o corpo, com a alma lá dentro, por inteiro.
E as palavras entorpecidas que se misturam no grito que vem quando se dá tudo a quem se ama.
Tapo a boca de onde vêm essas palavras — têm uma certa rudeza —, mordo com beijos essas palavras que dizes fora de ti.
E visto-te de palavras molhadas, que me escorregam da ponta da língua sobre o teu ventre oferecido à minha luxúria.
E quando não houver o que dizer aos corpos cansados e entrelaçados em abraços, resta-nos esse mundo em que as nossas almas falam sem cessar.
Alaya duques do Mar