Uma vez na vida

A brisa que vem do mar agita as pequenas velas que enfeitam as mesas. Junto com a música suave, as conversas e o murmúrio das ondas enchem o ar. Num cantinho, namorados trocam beijos apaixonados. Perco-me no teu olhar. Na mesa, a comida arrefece; sobe no ar o fumo e o aroma do requinte da refeição. Acho tudo perfeito, mas não consigo desprender o meu olhar do teu. Queria dizer tantas coisas que ensaiei em milhares de conversas imaginárias, até piadas parvas sem nexo, e, agora diante de ti, só me ocorre dizer-te que te amo. Dizer que te amo vezes sem conta, até esgotar. Mas não sei se a palavra amor se esgota, tu sabes?
Depois do jantar, a praia convida-nos a um passeio noturno. Tudo à nossa volta parece banhado a prata. Descalçamos os sapatos; a areia fria não me arrepia mais do que o teu braço quando roça no meu. O teu sorriso, assim iluminado pela lua, fica ainda mais mágico. Dançamos ao som das ondas. Enrolo-me em ti como se fosse areia e tu mar. Aos nossos pés, a espuma de uma onda desfaz-se em mil gotas salgadas; o teu corpo mistura-se ainda mais no meu.
Deixamo-nos cair na beira da água em beijos que já tardavam. Arranco-te as leves vestes que me separam da embriaguez de ternura. O mar abraça-nos em ondas pequenas, banhadas pelo luar de prata. O teu corpo sabe a lua. Banho-me na tua essência como uma maré que vai subindo, carícia a carícia, até te fazer transbordar como uma onda gigante e incontrolável. As estrelas no firmamento brilham mais quando as nossas almas se enlaçam e os corpos se dão. Sinto que vivo porque tu és a vida que me faz existir. Sinto que podia morrer hoje, porque este amor só acontece uma vez na vida.
Mais tarde, de mão dada, com a praia toda nossa, caminhamos para casa falando de coisas só nossas, de um mundo só nosso, onde só cabemos nós.
Alaya duques do Mar
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