Depois do primeiro beijo vem o desejo louco , impossível de conter.
Depois de ver o fogo no teu olhar é preciso entregar tudo alcançar as estrelas.
Depois das roupas destaparem caminhos de beijos, a pele precisa com urgência de respirar caricias ousadas as palavras incoerentes são ditas na vã tentativa de explicar o sentimento.
Depois de respirar o cheiro que a tua pele tem quando chama por mim, aquele vazio que anda sempre comigo na tua ausência, floresce todo em poesia, em histórias novas, que te quero contar ainda no calor do teu abraço, ainda por entre os salpicos coloridos do momento de êxtase.
Depois, tu sabes de mim, melhor que eu, sorris e juntas-me como um puzzle sobre a tua pele, e eu encontro aquela paz que só um grande amor pode dar.
Ás vezes, não me lembro como adormeci, mas acordo por causa do frio que a cama tem depois de te levantares.Ainda o sol não se levantou para lá da janela e vou pela casa à tua procura, sigo o rasto morno da luz do candeeiro de petróleo que acendes ás vezes. Da ombreira da porta fico, a tentar adivinhar-te os pensamentos.
Não sei se sabes que ali estou.Sei que me inunda uma imensa ternura e perco-me nos pormenores de ti, no cabelo solto em desalinho, na luz que te contorna o rosto, no olhar cheio de estrelas e no corpo entrelaçado em si mesmo. Dou por mim a querer tocar-te, despertar-te, arrancar-te desse teu mundo que só me mostras ás vezes. Sorris e eu sinto vergonha deste ciume de tudo, pois sorris para mim como se apenas eu existisse no universo.
Mão na mão, será sempre assim, não é ? Levo-te de volta para o quarto, de mãos dadas pelo corredor. Depois na cama fazemos amor outra vez, tão simples tão puro , tem de ser sempre assim não é? Adormeces e fico a ver-te sonhar , eu e os meus fantasmas mas não te acordamos .
Por esta altura já o sol vai a meio da janela. Abraço-te mais.
Não! Não acordes ainda …ás vezes ainda tenho medo do que fica depois de nos darmos tanto.
Alaya duques do Mar
