Tens qualquer coisa no corpo, no olhar, na forma de andar, que me vira do avesso. Basta pensar-te e pronto! As ruas ficam estreitas, o céu prega-me no chão.
Quando estás, tocar-te ao de leve com a ponta dos dedos liga-me a um outro mundo, outra dimensão. Olho nos teus olhos e sei o mundo que me dás. A seguir a minha mão já está toda na tua e a tua pele puxa-me a fantasia.
Entretanto roubo-te um beijo… mesmo que seja um beijo que me querias dar, eu roubo na mesma, porque tem mais gosto invadir a tua boca a sorrir.
Às vezes fazemos amor devagar, tiramos a roupa peça a peça, beijo a beijo. Confesso que me encanta embrenhar-me em ti como se entrasse numa floresta encantada; as minhas mãos caminham por carreiros estreitos por entre os sinais da tua pele. Posso fazer amor contigo todos os minutos da minha existência, mas há sempre um trilho novo no teu corpo, um beijo que ainda não foi inventado, qualquer coisa que ainda não foi dita.
Quando o corpo nos adormece, assim molhado de tantas carícias, custa-me sonhar. Esta realidade é mais do que posso criar nos meus melhores sonhos.
E de manhã fico a olhar-te. Tens um não sei quê de etéreo quando a luz da madrugada começa a iluminar-te. Eu agarro-te para que não desapareças como o nevoeiro da noite; agarro-te e preciso de acordar-te, amar-te de novo. Tenho muita pressa, se houvesse roupa rasgava-a. Felizmente nem um lençol há entre nós, só a tua pele e a minha, e eu com pressa de chegar à tua alma.
Nestas manhãs que ficamos assim, só nós e a luz da madrugada, com o desejo à solta na cama desarranjada, a vida parece tão simples, como se fôssemos seres unicelulares vagueando no éter, simplesmente existindo por toda a eternidade.