O livro escorregou-me para a relva. Deixei-me dormir na tarde morna. As formigas atarefadas deslizavam na erva, bailando ao ritmo do zumbido das abelhas e do coachar das rãs.
Sonhei contigo; era impossível não estares dentro dos meus sonhos.
Sonhos sempre iguais — não sei dormir sem te sonhar — e aquela tarde, cheia de cheiros de flores, era perfeita.
Sonho o teu sorriso, que brilha tanto como o sol e queima mais ainda. Sonho com beijos e carícias, pele arrepiada; sonho-te numa nuvem branca, fazendo amor comigo pela eternidade toda.
No auge do sonho, as almas talhadas para serem uma da outra… tão real que sinto o teu cheiro, o teu sabor e quero, quero, quero-te!
Comichão? Oh, não! Sai… Deixa-me sonhar!
Coço a ponta do nariz e enxoto o bicho intruso que me quer roubar do sonho.
Forço a imaginação a ir buscar-te outra vez… o teu corpo nu em delírio… sim, é neste ponto que te quero.
A todo o momento invento como despertar-te outra vez para o prazer; gosto desta loucura. E tenho-te para mim, naquele momento certo, único, em que…
SPLASH! E de súbito, naquela tarde ensolarada, vejo-me a escorrer água bem gelada.
Abro os olhos em sobressalto. Arrepia-me o fio de água que se esquiva e escorre pelo meio das costas. O mundo anda à roda. As folhas, as árvores, o próprio sol saiu do seu eixo e dança na minha tontura.
Agarro o meu desnorteio, firmo a vista na figura à minha frente: és tu.Os contornos definem-se e vejo agora o teu sorriso travesso que derrete a minha fúria. O cabelo assim, moldura perfeita para o brilho que tens no olhar. Agarro-te. Castigo-te com beijos arrancados ao teu sorriso maroto e, sem demoras, desmancho-te a roupa de verão.
Procuro a tua pele para te arrepiar tanto como as gotas de água que ainda me escorrem no corpo.
Mas a tua pele e o teu sorriso embriagam-me; o desejo domina-me. Quero brincar de amor contigo, agora, aqui na relva. Não é bem a nuvem com que sonhei, mas o gosto de ti leva-me para além da estratosfera terrestre, lá bem para o meio das estrelas do universo infinito.
E enquanto o sol se derrete no horizonte, na realidade desta tarde de verão, fazemos amor de sonho.